A quarta
paragem do percurso Pessoano foi no largo de S. Carlos, onde se situa o Teatro
Nacional de S. Carlos. Nesta estação, a guia falou-nos um pouco sobre a
infância e juventude de Fernando Pessoa.
O
poeta português nasceu no dia de S. António no ano de 1888, numa casa situada
neste largo, e até à idade dos 8 anos viveu uma infância feliz e tranquila.
Todavia, em 1892, o seu pai morreu vítima de tuberculose, e após este trágico
acontecimento, a mãe de Pessoa quis mudar-se com os seus filhos para uma casa
no Príncipe Real, o que entristeceu grandemente o poeta. No entanto, a maré de
sofrimento que a aquela família vivia estava longe de acabar quando, em 1894,
morreu um dos irmãos do poeta. Além disso, para maior desgosto de Pessoa, a sua
mãe casou novamente, em 1895, com o cônsul português da África do Sul, o que
implicou a mudança da família para lá. O poeta sentiu-se tão desamparado com
tudo isto que dizia mesmo não querer existir, e foi desta angústia e sofrimento
que nasceu o seu primeiro heterónimo conhecido, Chevalier de pas. Mais tarde,
Pessoa voltou para Lisboa com uma tia e ao longo da sua vida escreveu em
português, inglês e francês, línguas que teve o privilégio de aprender devido
ao facto de a sua mãe ser uma intelectual e promover este tipo de educação. O
único livro escrito em português que publicou em vida foi A Mensagem, mas são conhecidos também escritos sobre a origem dos
seus mais de cem heterónimos, um dos quais escreveu um poema em honra do largo
de S. Carlos, cenário de infância tão adorado pelo poeta.
Teresa Matta Raposo e Adriana Fernandes
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