O tema do poema "Balada do
caixão", de António Nobre, é a morte. Neste texto, o assunto tratado é a
antevisão e preparação do sujeito poético para o fim da sua vida. No que toca
às linhas temáticas e às características do estilo e da linguagem da poesia de
António Nobre, podemos encontrar temas mórbidos e a obsessão pela morte, sendo
este o tema do poema. Como já foi dito, encontramos a conjugação do humor com
temas sérios -«(...) Nenhum de vós, ao meu enterro,/ Irá mais dânde, olhai! do
que eu!»-. Encontramos também neste poema
um tom coloquial e pontuação que remetem para um certo prosaísmo -«(...)
Fui-me lá, ontem:/ era Entrudo/ Havia imendo que fazer (...)/ Olá, bom homem!
quero um fato,/ Tem que me sirva?- Vamos ver (...)»-. Em relação à influência
das estéticas finisseculares, podemos ligar o gosto do poeta pelo macabro ao
Decandentismo e, no que toca aos recursos estilísticos a que António Nobre
recorre neste poema, temos a apóstrofe -« Ó meus Amigos! (...)»-, mas
deparamo-nos principalmente com metáforas várias que compõem o eufemismo da
morte ao longo do texto -« O meu vizinho é carpinteiro/ Algibebe da Dona
Morte./ Penteia e cose, o dia inteiro,/ Fatos de pau de toda a sorte (...)»-.
Teresa Matta Raposo e Adriana Fernandes
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