Eça de Queiroz nasceu na Póvoa de Verzim a 25 de novembro de 1845. Foi um dos maiores romancistas la literatura portuguesa, como sabem, e muitos consideram que foi o principal escritor realista português e um grande renovador da prosa literária. Aderiu às correntes literárias do realismo e do naturalismo, e em quase todas as suas obras podemos encontrar um tom irónico e um tanto provocatório ou satanista, como, por exemplo, na personagem Carlos Fredique Marques, protagonista de O Mistério da Estrada de Sintra.
Eça começou por estudar no Porto, onde foi aluo de Ramalho de Ortigão, um dos membros da geração de 70, tal como Eça, e em 1861 ingressou no curso de Direito em Coimbra. Aí, conheceu outros dos membros da geração de 70, como Antero de Quental, e viveu num ambiente romântico de boémia e rebeldia. Mais tarde, foi para Lisboa e depois para Évora, onde começou uma carreira jornalística, dirigindo, redigindo e editando publicações como O Distrito de Évora, e colaborando noutras como A Gazeta de Portugal. Depois, sob a influência de Antero, Eça associou-se a um movimento de análise crítica à vida pública e lança as bases do naturalismo e do realismo nas Conferências do Casino. A partir desta altura, o autor inicia a vida profissional como cônsul, o que implicava diversas viagens e uma vida longe de Portugal. Em 1872, parte para Havana, em 1824, para Newcastle, em 1878, para Bristol, e em 1888 parte para Paris, onde vem a falecer a 16 de agosto de 1900.
Devido à distância de casa, Eça depara-se com dificuldades, algo que percebemos através de uma carta que escreveu a Ramalho de Ortigão, em abril de 1878 -«Eu trabalho nas Cenas Portuguesas, mas sob a influência do desalento. Convenci-me de que um artista não pode trabalhar longe do meio em que está a sua matéria artística»-. As Cenas Portuguesas ou Cenas da vida portuguesa eram um projeto de crónica dos costumes portugueses, que deveria ser composto por um conjunto de narrativas, mas não teve o fim desejado. Apesar de tal e do desânimo evidente no excerto acima transcrito, Eça fez valer a sua atividade literária entre os anos 70 e 80, com a escrita e publicação de diversos romances realistas e naturalistas. Entre estes, temos O Crime do Padre Amaro, O primo Basílio, A Relíquia e Os Maias. No entanto, Eça foi também o autor de narrativas com estilos que se afastavam um pouco destas correntes literárias, como O Mandarim. Numa carreira literária de cerca de 35 anos, marcada por uma obra muito vasta, podemos encontrar mudanças no estilo de Eça, através das quais este revela um sentido de insatisfação estética, no facto de ter submetido muitos dos seus textos a trabalhos de reescrita, mesmo após a sua publicação.
Os romances de Eça são todos marcados por uma caracterização minuciosa, tanto dos espaços, como das personagens. Por exemplo, muitas destas são caracterizadas como tipos sociais nos quias podemos ver aspetos fundamentais da vida pública portuguesa na segunda metade do século XIX. Aspetos, estes, alvos de uma forte crítica por parte do autor. Com o passar do tempo, estas referências realistas e naturalistas, ou seja, esta descrição cuidada da sociedade, foram sendo cada vez menos e o autor passou a focar-se mais na caracterização psicológica das suas personagens, algo que articula com a valorização de pontos de vista naturais e transformando e tempo narrativo em algo subjetivo e pessoa, como n'Os Maias. Estas transformações são consequência direta de ideologias e períodos nos quais Eça viveu, e que são tão evidentes e relevantes para a compreensão de cada obra.
A produção literária de Eça não se cingiu, contudo, a romances. Como referido anteriormente, o autor colaborou em jornais e escreveu diversos contos. Em toda a sua obra podemos encontrar críticas intemporais à sociedade portuguesa e até mesmo críticas fortíssimas à sua própria pessoa, tornado-se um dos mais célebres escritores e pensadores do século XIX.
Bibliografia: Machado,
A. M. Dicionário de Literatura Portuguesa.
Porto: Editorial Presença
Teresa Matta Raposo e Adriana Fernandes