sábado, 19 de março de 2016

Visita ao Centro de Arte Moderna

Na manhã do passado dia 26 de novembro, a turma I do 11° ano da Escola Secundária du Bocage visitou a exposição “Círculos Delaunay” no Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, no âmbito da disciplina de Literatura Portuguesa. A finalidade desta visita foi começarmos a ter uma ideia do que foi o modernismo, especialmente no âmbito literário, uma vez que iremos estudar autores desta época, como Fernando Pessoa, no terceiro período do corrente ano letivo.  O modernismo foi um conjunto de movimentos artísticos, e não só, dos finais do séc. XIX e séc. XX, que visava a inovação e o corte com aquilo que era considerado tradicional. Algumas das entidades marcantes desta época, faladas durante a nossa visita, são o casal Delaunay, criadores dos círculos órficos, Amadeo de Souza Cardoso, Almada Negreiros e Fernando Pessoa. Além destas personalidades, falaram-nos também da revista Orpheu e do Círculo Delaunay. Neste nosso testemunho sobre o que aprendemos com a visita, falaremos sobre tudo o que mencionámos anteriormente, exceptuando Fernando Pessoa, uma vez que foi também feito um artigo exclusivamente sobre o percurso pessoano, que realizámos da parte da tarde.


Teresa Matta Raposo, Maria de Abreu, Mariana Pereira

"A Balada do Caixão", António Nobre

O tema do poema "Balada do caixão", de António Nobre, é a morte. Neste texto, o assunto tratado é a antevisão e preparação do sujeito poético para o fim da sua vida. No que toca às linhas temáticas e às características do estilo e da linguagem da poesia de António Nobre, podemos encontrar temas mórbidos e a obsessão pela morte, sendo este o tema do poema. Como já foi dito, encontramos a conjugação do humor com temas sérios -«(...) Nenhum de vós, ao meu enterro,/ Irá mais dânde, olhai! do que eu!»-. Encontramos também neste poema  um tom coloquial e pontuação que remetem para um certo prosaísmo -«(...) Fui-me lá, ontem:/ era Entrudo/ Havia imendo que fazer (...)/ Olá, bom homem! quero um fato,/ Tem que me sirva?- Vamos ver (...)»-. Em relação à influência das estéticas finisseculares, podemos ligar o gosto do poeta pelo macabro ao Decandentismo e, no que toca aos recursos estilísticos a que António Nobre recorre neste poema, temos a apóstrofe -« Ó meus Amigos! (...)»-, mas deparamo-nos principalmente com metáforas várias que compõem o eufemismo da morte ao longo do texto -« O meu vizinho é carpinteiro/ Algibebe da Dona Morte./ Penteia e cose, o dia inteiro,/ Fatos de pau de toda a sorte (...)»-.


Teresa Matta Raposo e Adriana Fernandes

sexta-feira, 18 de março de 2016

Em Aparição, de Vergílio Ferreira, surge-nos a personagem de Alberto que se depara com questões que, a meu ver, atingem todos os seres pensantes: o que é a vida? O que estamos aqui a fazer? Qual o sentido da nossa existência? Todas estas dúvidas surgem na mente da personagem principal quando o seu pai morre subitamente durante um jantar de família. Já imaginaram o choque? Ver, assim, o nosso pai a desaparecer, o nosso mundo a desabar, subitamente. Não há sensação pior do que essa, da qual mais tarde advém uma saudade interminável e permanente que se faz acompanhar de angústia e dor. Eu também perdi o meu pai, também vi o meu mundo a desabar e vivo com um constante aperto no coração. Aos treze anos, o destino tirou-me uma das pessoas mais importantes da minha vida e, mesmo sendo eu uma criança, fui obrigada a refletir sobre a importância da vida. Claro que ninguém veio ter comigo e me obrigou a fazê-lo, mas, ao convivermos com a morte tão de perto, não é possível ignorar estas questões que se fazem surgir. Já se passaram dois anos, oito meses e onze dias e mesmo assim ainda não consegui encontrar uma resposta. A leitura de Aparição deu-me a oportunidade de tentar refletir sobre a questão do sentido da nossa existência de outra perspetiva, que contrasta com a minha opinião pessoal.
A personagem de Alberto tem o seu primeiro contacto com a morte ainda em criança, quando encontra o seu cão morto. Pelo seu relato deste acontecimento, sei que o pequeno Alberto sofreu. Pode não ter transmitido nada aos que o rodeavam, mas eu senti a sua dor. Confesso que foi das partes da obra que mais me tocou, chegando mesmo a provocar-me lágrimas. Já na idade adulta, Alberto presencia a morte do próprio pai e, de novo, não parece transmitir qualquer tipo de sentimentos face a este episódio. Mais tarde, dá-se a morte da pequena Cristina. A doce, inocente, angelical Cristina. E, já no fim da obra, temos a morte de Sofia, que tinha o poder incrível de dominar a personagem principal, e não só. No entanto, mais uma vez, Alberto não mostra o seu sofrimento. Não obstante, estes acontecimentos têm um grande impacto na pessoa de Alberto, este questiona-se sobre qual o sentido da nossa existência. Perante esta interrogação, o narrador assume uma posição de existencialismo ateu. Ao longo da obra, Alberto defende que a alma morre com o corpo, que não existe uma entidade superior, nem a vida depois da morte, e rejeita o destino, mostrando-se materialista. Contudo, Alberto procura a aparição de algo que dê sentido à sua vida, algo que atribua algum tipo de valor ao seu ser, dizendo que só assim nos tornamos alguém. Só assim poderemos um dia dizer que, de facto, vivemos.
Ora, esta visão contrasta com aquilo em que acredito, uma vez que sou católica. Acredito em Deus e gosto de o fazer. Ao contrário de Alberto, gosto de pensar que a alma permanece viva mesmo depois da morte física de uma pessoa. Dá-me segurança. Dá-me esperança de algum dia poder reencontrar o meu pai, a minha avó, o meu tio e tantas outras pessoas que virei a perder ao longo da minha vida. Além disso, vivendo e amando intensamente, sabendo que um dia nos voltaremos todos a encontrar, não é preciso a aparição de algo que dê sentido à nossa existência. A nossa existência tem sentido por si mesma. Nós somos quem somos, tudo o que nos acontece tem uma razão e por vezes há coisas que não conseguimos controlar. Somos apenas seres humanos e a nossa existência é talvez a aparição que alguns, tal como Alberto, procuram.

A leitura desta obra foi extremamente enriquecedora na medida em que me proporcionou uma perceção da vida completamente diferente da que tenho e ao mesmo tempo alimentou o meu ponto de vista. Isto é, motivou-me a pensar de forma mais aprofundada sobre o tema tratado, o que me levou a ter mais certezas daquilo que defendo e em que acredito. Além disso, despoletou o meu interesse em ler outras obras de Vergílio Ferreira e confirmou o meu gosto pela sua escrita. Foi das melhores obras que já li e recomendo a sua leitura a qualquer um.


Teresa Matta Raposo

Eça de Queiroz

   Eça de Queiroz nasceu na Póvoa de Verzim a 25 de novembro de 1845. Foi um dos maiores romancistas la literatura portuguesa, como sabem, e muitos consideram que foi o principal escritor realista português e um grande renovador da prosa literária. Aderiu às correntes literárias do realismo e do naturalismo, e em quase todas as suas obras podemos encontrar um tom irónico e um tanto provocatório ou satanista, como, por exemplo, na personagem Carlos Fredique Marques, protagonista de O Mistério da Estrada de Sintra.
   Eça começou por estudar no Porto, onde foi aluo de Ramalho de Ortigão, um dos membros da geração de 70, tal como Eça, e em 1861 ingressou no curso de Direito em Coimbra. Aí, conheceu outros dos membros da geração de 70, como Antero de Quental, e viveu num ambiente romântico de boémia e rebeldia. Mais tarde, foi para Lisboa e depois para Évora, onde começou uma carreira jornalística, dirigindo, redigindo e editando publicações como O Distrito de Évora, e colaborando noutras como A Gazeta de Portugal. Depois, sob a influência de Antero, Eça associou-se a um movimento de análise crítica à vida pública e lança as bases do naturalismo e do realismo nas Conferências do Casino. A partir desta altura, o autor inicia a vida profissional como cônsul, o que implicava diversas viagens e uma vida longe de Portugal. Em 1872, parte para Havana, em 1824, para Newcastle, em 1878, para Bristol, e em 1888 parte para Paris, onde vem a falecer a 16 de agosto de 1900.
  Devido à distância de casa, Eça depara-se com dificuldades, algo que percebemos através de uma carta que escreveu a Ramalho de Ortigão, em abril de 1878 -«Eu trabalho nas Cenas Portuguesas, mas sob a influência do desalento. Convenci-me de que um artista não pode trabalhar longe do meio em que está a sua matéria artística»-. As Cenas Portuguesas ou Cenas da vida portuguesa eram um projeto de crónica dos costumes portugueses, que deveria ser composto por um conjunto de narrativas, mas não teve o fim desejado. Apesar de tal e do desânimo evidente no excerto acima transcrito, Eça fez valer a sua atividade literária entre os anos 70 e 80, com a escrita e publicação de diversos romances realistas e naturalistas. Entre estes, temos O Crime do Padre Amaro, O primo Basílio, A Relíquia e Os Maias. No entanto, Eça foi também o autor de narrativas com estilos que se afastavam um pouco destas correntes literárias, como O Mandarim. Numa carreira literária de cerca de 35 anos, marcada por uma obra muito vasta, podemos encontrar mudanças no estilo de Eça, através das quais este revela um sentido de insatisfação estética, no facto de ter submetido muitos dos seus textos a trabalhos de reescrita, mesmo após a sua publicação. 
  Os romances de Eça são todos marcados por uma caracterização minuciosa, tanto dos espaços, como das personagens. Por exemplo, muitas destas são caracterizadas como tipos sociais nos quias podemos ver aspetos fundamentais da vida pública portuguesa na segunda metade do século XIX. Aspetos, estes, alvos de uma forte crítica por parte do autor. Com o passar do tempo, estas referências realistas e naturalistas, ou seja, esta descrição cuidada da sociedade, foram sendo cada vez menos e o autor passou a focar-se mais na caracterização psicológica das suas personagens, algo que articula com a valorização de pontos de vista naturais e transformando e tempo narrativo em algo subjetivo e pessoa, como n'Os Maias. Estas transformações são consequência direta de ideologias e períodos nos quais Eça viveu, e que são tão evidentes e relevantes para a compreensão de cada obra. 
  A produção literária de Eça não se cingiu, contudo, a romances. Como referido anteriormente, o autor colaborou em jornais e escreveu diversos contos. Em toda a sua obra podemos encontrar críticas intemporais à sociedade portuguesa e até mesmo críticas fortíssimas à sua própria pessoa, tornado-se um dos mais célebres escritores e pensadores do século XIX.



Bibliografia: Machado, A. M. Dicionário de Literatura Portuguesa. Porto: Editorial Presença


Teresa Matta Raposo e Adriana Fernandes

quarta-feira, 16 de março de 2016

Quarta paragem do Percurso Pessoano - Largo de S. Carlos

A quarta paragem do percurso Pessoano foi no largo de S. Carlos, onde se situa o Teatro Nacional de S. Carlos. Nesta estação, a guia falou-nos um pouco sobre a infância e juventude de Fernando Pessoa.

               O poeta português nasceu no dia de S. António no ano de 1888, numa casa situada neste largo, e até à idade dos 8 anos viveu uma infância feliz e tranquila. Todavia, em 1892, o seu pai morreu vítima de tuberculose, e após este trágico acontecimento, a mãe de Pessoa quis mudar-se com os seus filhos para uma casa no Príncipe Real, o que entristeceu grandemente o poeta. No entanto, a maré de sofrimento que a aquela família vivia estava longe de acabar quando, em 1894, morreu um dos irmãos do poeta. Além disso, para maior desgosto de Pessoa, a sua mãe casou novamente, em 1895, com o cônsul português da África do Sul, o que implicou a mudança da família para lá. O poeta sentiu-se tão desamparado com tudo isto que dizia mesmo não querer existir, e foi desta angústia e sofrimento que nasceu o seu primeiro heterónimo conhecido, Chevalier de pas. Mais tarde, Pessoa voltou para Lisboa com uma tia e ao longo da sua vida escreveu em português, inglês e francês, línguas que teve o privilégio de aprender devido ao facto de a sua mãe ser uma intelectual e promover este tipo de educação. O único livro escrito em português que publicou em vida foi A Mensagem, mas são conhecidos também escritos sobre a origem dos seus mais de cem heterónimos, um dos quais escreveu um poema em honra do largo de S. Carlos, cenário de infância tão adorado pelo poeta. 



Teresa Matta Raposo e Adriana Fernandes

quinta-feira, 10 de março de 2016

Aviso

  Caros leitores, como creio que já deverão ter reparado, alterei o nome do meu blog. Há muito tempo que sentia que o nome "Angústia" não ia de encontro ao verdadeiro significado que esta página tem para mim. Escolhi o nome "Letras, Palavras, Emoções", uma vez que as "letras" são o que forma "palavras" que, por sua vez, são a melhor maneira de exprimir sentimentos e "emoções". É certo que este blog foi criado no âmbito da disciplina de Literatura Portuguesa, o que não quer dizer que não possa ser uma forma de expressar as minhas ideias. Ao escrever, seja para a escola, seja por vontade pessoal, acabo sempre por deixar um pouco de mim em cada texto. Desta forma, quis dar um título a este blog que correspondesse ao que este realmente é.




Teresa Matta Raposo