«De amor nada mais resta que um
Outubro
e quanto mais amada mais desisto:
quanto mais tu me despes mais me
cubro
e quanto mais me escondo mais me
avisto.
E sei que mais te enleio e te
deslumbro
porque se mais me ofusco mais
existo.
Por dentro me ilumino, sol
oculto,
por fora te ajoelho, corpo
místico.
Não me acordes. Estou morta na
quermesse
dos teus beijos. Etérea, a minha
espécie
nem teus zelos amantes a demovem.
Mas quanto mais em nuvem me
desfaço
mais de terra e de fogo é o abraço
com que na carne queres reter-me
jovem.»
O poema
escolhido no âmbito do projeto individual de leitura – O sol nas noites e o luar nos dias – levou à reflexão sobre o amor.
Mas que sei eu sobre isso? Tenho 16 anos, estou a começar a vida e nunca
entreguei completamente o meu coração ou recebi o de ninguém. Assim, muitos de
vós estarão a pensar que não tenho a vivência necessária para escrever sobre
ele, o que não é a realidade. Apesar da minha inexperiência, já me apaixonei e
tive um desgosto. Já senti tanto a alegria e o entusiasmo, como as facadas do
amor. Já quis dar tudo de mim a alguém que o recusou. É a isto que nos sujeitamos quando nos
deixamos dominar pelo amor. Mas de quem será a culpa? Nossa?
Talvez
seja nossa a culpa dos fracassos que vivemos no amor. Talvez, quando amamos, construamos obstáculos entre nós e o objeto do nosso sentimento para
nos protegermos, como no poema. Ou talvez o façamos para não transparecerem as
nossas imperfeições aos outros porque desejamos ardentemente a reciprocidade do
sentimento. Contudo, será que a culpa pode ser atribuída ao amor em si, ao
sentimento?
Creio
que é bastante comum tal acontecer. O amor é a origem das desilusões que
sofremos dia após dia, dado que é devido à entrega incentivada por este
sentimento que tantas vezes nos magoamos. Mas será que podemos sequer atribuir
culpa a alguém?
Tantas
vezes estas questões surgem na minha mente e o poema fez-me querer escrever
sobre estas, mas também despoletou interrogações face à felicidade proporcionada
pelo amor. Apesar de tudo, este é também um sentimento enriquecedor e intenso
que preenche os buracos da alma e, quando partilhado com a pessoa certa, sara o
coração de mágoas anteriores.
No
fundo, o que é que se pode dizer sobre o amor? Unicamente que é o sentimento
que mais mágoa e felicidade irá trazer à nossa vida, e que, por muito que queiramos,
simplesmente não o podemos recusar.
Este
poema despertou a minha atenção e inspirou-me, uma vez que é todo o sentimento
do amor transformado em palavras.
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