sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Um Auto de Gil Vicente

Depois da apresentação do Auto…


Gil Vicente- (indignado) Há tanto que preparava este auto para celebrar o casamento da nossa tão querida Infanta, um momento feliz para todo o reino! Tão arduamente trabalhei para honrar a nossa princesa e para que a sua partida fosse lembrada com alegria! Tudo o que desejei foi que os atores cumprissem o seu papel adequadamente. Como pode Bernardim ter uma atitude destas? Eu que, como seu amigo, lhe confiei um papel nesta peça, fui quem saiu prejudicado desta situação… Mas que lhe terá dado? Endoideceu! Só pode! E eu, Gil Vicente, fiquei com o nome manchado… Tanto elogiou o meu trabalho D. Manuel aos italianos, que terão pensado eles? Que terá ficado a achar de mim o rei que sempre me apoiou? Como hei de me desculpar pelo sucedido? Será que a minha carreira de dramaturgo chegou ao fim? Ai… Mas que terá passado na mente de Bernardim para fazer uma coisa destas? Não entendo! Porém, nada me resta fazer além de começar a preparar outro Auto para compensar D. Manuel e a restante corte pelo desastroso final que lhes foi apresentado… Ai…! (sai de cena)

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