terça-feira, 10 de março de 2015

"O Búzio de Cós e outros poemas", de Sophia de Mello Breyner Andresen

  Li recentemente o livro "O Búzio de Cós e outros poemas", de Sophia de Mello Breyner Andresen no âmbito de o apresentar na disciplina de Literatura Portuguesa. Não fui eu que escolhi  a obra, mas devo confessar que não fiquei desiludida.
  A escrita de Sophia é simples e os poemas que constituem o livro também não são muito complexos, e penso que a autora não pretendia transmitir nada de transcendente aos leitores através das suas palavras.
  Para ser sincera, não sou grande fã de poesia e penso que isso é o resultado de nunca a ter percebido e apreciado corretamente. No entanto, apesar de alguns dos poemas não terem despertado muita atenção da minha parte, os restantes  deliciaram-me com a sua musicalidade e facilidade de me transportarem para outro mundo.
  "Veneza" foi o poema de que mais gostei. A sua simplicidade, bem como a sua harmonia e forma de me fazer sonhar foram os aspetos que me "prenderam" ao poema. Sei que este caracteriza a cidade de Veneza, mas a verdade é que nunca a visitei e a maneira como Sophia descreve a cidade italiana tem em mim o efeito de a imaginar e pensar que lá estou.

"Esta história aconteceu
Num país chamado Itália
Na cidade de Veneza
Que é sobre a água construída
E de noite e dia se mira
Sobre a água reflectida.

Suas ruas são canais
Onde sempre gondoleiros
Vão guiando barcas negras
Em Veneza tudo é belo
Tudo rebrilha e cintila

Há quatro cavalos gregos
Sobre o frontão de S. Marcos
E a ponte do Rialto
Desenha aéreo o seu arco
Em Veneza tudo existe
Pois é senhora do mar

Dos quatro cantos do mundo
Os navios carregados
Desembarcam no seu cais
Sedas tapetes brocados
Pérolas rubis corais
Colares anéis e pulseiras
E perfumes orientais

Cidade é de mercadores
E também de apaixonados
Sempre perdidos de amores
E cada dia ali chegam
Persas judeus e romanos
Franceses e florentinos
Artistas e bailarinos
E ladrões e cavaleiros

Aqui só há uma sombra
As prisões da Signoria
E os esbirros do doge
Que espiam a noite e o dia
De resto em Veneza há só
Dança canções fantasia

Cada ano aqui se tecem
Histórias variadas
Que às vezes até parecem
Aventuras inventadas

Por isso sempre digo
Que Veneza é como aquela
Cidade de Alexandria
Onde há sol à meia-noite

E há lua ao meio-dia"

  Aconselho esta obra poética a qualquer amante de poesia e não só. Como já disse anteriormente, é uma obra fácil e uso o meu como exemplo: não sou grande fã de poesia, porém, este livro não ficou aquém das minhas expetativas. Pessoalmente, penso que é uma boa obra para iniciar o gosto pela poesia.

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