Lembro-me dele todos os dias, e
espero nunca o esquecer. Era uma pessoa extraordinária, ou pelo menos é assim
que gosto de me lembrar dele. Alto, rechonchudo, com uma pequena careca e
alguns dos cabelos que lhe restavam já estavam brancos. Transmitia muita calma
e paciência, mas a verdade é que não tinha força para aturar a minha obsessão
pelo Glee. Dava-me muito amor, mas,
por vezes, eu não me apercebia. Agora vejo-o e espero que não seja tarde
demais. Era um grande fã do Tintin,
pelo que sei, desde sempre. Possuía todos os episódios em DVD, uma ou duas t-shirts, e todos os livros de
banda-desenhada, em francês. Havia lido também todos os livros do Astérix em francês. Talvez daí tenha
nascido a minha vontade de aprender a língua, não sei. Não gostava que eu esticasse o cabelo, pois sentia saudades dos “seus” caracóis. Era o maior
chocolatoólico do universo e um grande guloso. Adorava todas as prendas que eu
lhe dava, mesmo que fossem uma fotografia minha ou um cupão de abraços feito
por mim. Sentia-se sempre orgulhoso dos meus feitos, mesmo que quase nulos. Era
muito especial e sei que continuará assim para o resto da eternidade, seja esta
qual for.
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