terça-feira, 31 de maio de 2016

O Doido e a Morte

   Estudámos, recentemente, a peça "O Doido e a Morte". Esta é uma obra muito interessante, com uma forte crítica social adjacente.
   Uma das personagens principais, o Senhor Milhões, tem uma perspetiva exagerada sobre o sentido da vida, planeando matar-se a si e ao Governador Civil. Inicialmente, pensamos que esta personagem é completamente louca e que apenas pretende ascender à condição divina ao matar alguém. Todavia, atarvés do seu discurso, apercebemo-nos de que este homem é, na verdade, um ser muito consciente. O Senhor Milhões revela que se apercebeu da inutilidade da sua vida e da de outros, como Baltazar Moscoso, sentindo-se, assim, no direito de acabar com ambas. Este é um aspeto essencial na obra, dado que evidencia a crítica que esta pretende transmitir, e nos esclarece em relação às razões que levam o Senhor Milhões a cometer este ato de tamanha loucura.
   Porém, quando se dá o desenlace, vemos que a bomba que o homem mais rico de Portugal pretendia explodir não passava de algodão em rama, não ferindo ninguém. Desta forma, tudo não passou de uma chamada de atenção e de uma maneira de Baltazar Moscoso refletir sobre a falta de sentido da vida que levava. Considerei este um aspeto de relevo na obra, uma vez que foi o momento em que se viu o que iria acontecer, mudando o rumo da ação e atribuindo um final inesperado à peça.



Teresa Matta Raposo

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