Havia Sol na Praça, de Vergílio Ferreira, está inserido no seu livro Contos e foi o que escolhi para apresentar em sala de aula no âmbito do projeto individual de leitura. Este conto retrata a história de um sem-abrigo velho, o Fadista, e critica, de certa forma, a sociedade em que vivemos.
Um dos aspetos que mais interesse me despertou foi o facto de referir, indiretamente, que as pessoas, no geral, apontam o dedo aos sem-abrigo, pois estes chamam um pouco a atenção, mas acabam por se esquecer dos mesmos, uma vez que têm outros pensamentos e dificuldades além de não se preocuparem com alguém que não lhes diz nada. Isto despertou a minha atenção, visto que retrata a realidade de hoje na perfeição.
Outro aspeto que me faz recomendar a obra foi a "safadeza" do protagonista. Honestamente, a maneira como o narrador retrata o hábito do Fadista ir para o canto da praça onde batia o sol catar piolhos, o facto de se entusiasmar ao fazê-lo e tirar peças de roupa, ou até mesmo a maneira como ele fugia sempre do asilo, foram tudo particularidades do conto que me fizeram rir e apreciá-lo tanto.
Esta obra foi-me recomendada por uma amiga, e, sendo uma leitura fácil, curta e animadora, aconselho-a a qualquer um.
quarta-feira, 10 de dezembro de 2014
segunda-feira, 1 de dezembro de 2014
Apreciação crítica de "Loucura", de Mário Sá-Carneiro
Neste texto de apreciação crítica irei expor a
minha opinião sobre Loucura, de Mário Sá-Carneiro, conto lido em sala de aula.
Este
é, de facto, um conto bastante interessante e captou toda a minha atenção. Um
dos aspectos que mais me interessou foi a loucura de Raúl. A maneira como a
personagem olhava a vida e todos os que a rodeavam, era, sem dúvida, muito
pouco comum. Nunca tinha ouvido uma história, nem conhecido uma personagem com
uma perspectiva tão negativa sobre a vida, vendo sempre a morte e o suicídio de
forma tão natural.
No
início do conto, Raúl é apresentado como alguém completamente louco, sem paixão
pela vida, pela arte, nem mesmo pelas mulheres. Até ao momento em que chega à
idade adulta e, para o espanto do seu melhor amigo, o narrador, este “conhece”
um novo Raúl, menos misterioso e obscuro, mas um recente apaixonado pela
escultura e, a pouco e pouco, pela poesia e pelo teatro, e mais alegre, vindo
mesmo a casar-se.
Algo
de que gostei mesmo muito foi desta mudança de Raúl, pois ninguém muda
radicalmente desta maneira. Vim a confirmá-lo quando, por exemplo, Raúl sugeriu
a Marcela que se suicidassem juntos, para morrerem felizes nos braços um do
outro. Esta forma de Raúl pensar as coisas mais absurdas com tanta naturalidade
impressionou-me.
Outro
aspeto que me fez gostar muito da obra foi a amizade entre o narrador e Raúl.
Mesmo Raúl sendo uma pessoa misteriosa e obscura, o narrador considerava-o o
seu melhor amigo e isso nunca mudou, mesmo com a mente de Raúl.
Assim,
penso ter exprimido o meu tão grande interesse pela obra, de que aconselho a
leitura.
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